A Arte de largar o osso
Certa vez conversando com uma amiga durante um churrasco, comecei a interagir com ela e perguntar sobre sua vida. Conversamos sobre varias coisas, as aulas na faculdade, amigos e amigas, e começamos a falar sobre relacionamentos.
Ela tinha deixado um amor na sua Cidade Natal e mudou-se para Curitiba para estudar. Mas esse amor a fazia sofrer, não conseguia terminar pois já não gostava muito dele e o mesmo a ignorava, mas não conseguia “largar o osso”- nas suas palavras, então não sabia o que fazer, pois visitá-lo era caro e praticamente inviável no momento, alem de fazê-la sofrer por muitas outras coisas.
Na vida, nos temos essa mania mesmo, de não saber largar o osso. Lutamos contra situações que jamais mudarão, lutamos para conseguir algo que jamais conseguiremos, não sabemos a hora certa de deixar as coisas como estão para prosseguir em outras, e isso nos impede de saber a hora certa de parar e poder ir em frente.
Então, conversando com ela sobre largar o osso, sugeri um simples exercício e ela aceitou o mesmo e decidiu executá-lo.
O exercício era simples. Como estávamos em um churrasco, a inspiração foi rápida e imediata.
Consistia em no dia seguinte ir em uma churrascaria e pedir um file, esses que vem em formato de T, famosos T-Bones. So que ela não poderia comê-lo rapidamente ou misturar com outras comidas. Era somente ela e o T-Bone. Mas o T-bone, não era um simples T-Bone. Ela teria que imaginar o seu amor longínquo ali na mesa com ela na ultima ceia.
Ela teria que come-lo aos poucos, imaginando cada mordida como única, cada pedaço como um pedaço do amor que ela sentia por ele e que aos poucos estava se acabando. Após degustar toda a carne, ela teria que pegar a melhor parte, próxima ao osso, segundo meu avo, e saboreá-lo, morde-lo, chupa-lo, como se estivesse fazendo amor com ele, de uma maneira como nunca o fez, deixa-lo branquinho e sem nenhum pedaço de carne, limpo enfim, então ela poderia largar o osso no prato, agradecer pela maravilhosa refeição, embrulhá-lo e fazer como os cães fazem: enterrá-lo para nunca mais achar.
Como um passe de mágica do amor, ela poderia se ver livre para terminar o antigo relacionamento e estaria pronta para o próximo file T-Bone do amor que cruzasse seu caminho.
Incrivelmente ela aceitou o desafio e executou o plano com maestria, e um tempo depois me agradeceu pelas dicas e disse que estava livre para amar novamente.
Na vida, temos que imitar os animais e saber a hora de enterrar nossos T-Bones.
Cassiano M. Zanetti
