sábado, 7 de maio de 2011

O Fósforo que queria ser uma arvore

O Fósforo que queria ser uma arvore
Era uma vez, e sempre era uma vez, uma linda caixinha de fósforos toda decorada para o Natal daquele ano.
Tudo era alegria, tudo era felicidade para os novos palitos daquela caixa que chegou na cozinha e foi colocada ao lado das caixas de fósforos antigos e com muitos já usados dentro das mesmas.

Dentro dessas caixas antigas, o ambiente não era muito agradável. Haviam os que já haviam passado para o outro lado da vida dos fósforos junto com os mais novos e ainda “vivos”. Então da para se imaginar como os mais “vivos” se sentiam toda a vez que eram puxados para fora. O “escolhido” nesse caso nunca era privilegiado ou era um predestinado a grandes fatos. Pode ate ser, se você analisar o potencial que um fósforo tem. Ele pode ou acender uma chama inocente para cozinhar, mas como também pode destruir florestas inteiras com seu pequeno momento de transição.
Mesmo assim, não era nada agradável saber que o fim seria esse: ser queimado vivoDentro desse ambiente hostil, chegam novos moradores, felizes, limpos, lisos e morando em uma caixa toda decorada para a ocasião mais esperada do ano – O NATAL. Era uma alegria so. Não paravam de falar a noite toda deixando todas as outras caixas irritadas e começando a reclamar:



- “vamos parar com essa falação toda antes que eu me irrite e queime todos vocês! Reclama um dos moradores mais antigos

Assustados, e um pouco apreensivos, ficaram preocupados com o tom ameaçador do vizinho e resolveram falar mais baixo. Para distrair durante a noite, criaram uma brincadeira que era a de se apresentar e falar o que pensam e o que querem.
Todos foram, um a um, contando tudo o que pensam, seus nomes, de onde vieram, o que faziam antes de virar fósforo, suas famílias, seus desejos...até um deles ser chamado para fora por um dos vizinhos “tensos” com a realidade dura das suas vidas e irritado com tamanha falta de visão dos mais novos e gritou:


                -“ei voce! Voce ai embaixo, todo falante e sorridente, venha aqui perto que eu quero falar com voce!” grita o mais velho

Sem pensar duas vezes, o mais novo alegre e saltitante morador salta para fora de sua linda caixa colorida e corre ate o mais velho para atender seu pedido:
                - “Sim meu amigo vizinho! O que posso fazer pelo Sr?”

                -“conte-me o que estavas a falar La embaixo e que me acordou” balbucia o mais velho
                -“ah! Era uma brincadeira! Sobre o que eu fazia antes de vir aqui” responde o mais novo

                -“e o que voce gostaria de ser? Eles te pergutaram isso?” pergunta o mais velho
                -“sim!!!! E na hora que eu ia dizer, o senhor me chamou!” responde o mais novo

                -“então me conte seu desejo do que gostaria de ser! Meu amiguinho...” ironicamente pergunta o mais velho
                -“ah! Meu Senhor, eu gostaria de me tornar uma imensa arvore! Linda! Verde! Brilhante e lindamente decorada para o Natal! Exatamente como eram meus antepassados!” Responde alegremente o mais novo

Aos berros e aos pulos, saindo de dentro de sua caixa, o mais velho grita ao mais novo:
                 -“COMO VOCE É INGENUO MEU AMIGO!!!! NÃO VE QUE VAMOS TODOS MORRER QUEIMADOS E QUE NÃO TEMOS FUTURO ALGUM!!!!!!!VEJA MEUS ANTIGOS AMIGOS COMO ESTAO QUEIMADOS, SEM CABECA, TODOS DESFIGURADOS????VOLTE PARA SUA CASA TODA COLORIDA E FIQUE LA ESPERANDO A SUA VEZ  CHEGAR!!!!!” GRITA, ops...grita o mais velho em tom ameaçador e a cada palavra fazendo o mais novo encolher-se mais e mais saindo correndo aos prantos para sua caixa toda colorida e feliz.

Chegando La, conta a noticia para os seus amigos e todos começam a chorar.
A casa que era somente alegria e diversão, torna-se uma caixa descolorida, triste, desgastada com o tempo e com o uso e aos poucos um a um são eliminados ate chegar no nosso personagem mais alegre e feliz, que ao ver que ele era o ultimo da sua caixa, entrega-se ao seu destino e queima feliz pela primeira e ultima vez e não realizando seu desejo de se tornar uma arvore.

Algum tempo passa, e uma criança entra na cozinha para pegar fósforos para um trabalho escolar. E a caixa que mais lhe chamou a atenção foi uma toda decorada de Natal entre tantas outras sem graça. Subindo em um banco, ele a alcança e corre para o seu quarto para a sua missão.
Ao chegar no seu quarto, pega uma folha em branco e começa a desenhar, desenhar, desenhar, a caixa de fósforos o inspirou para o seu trabalho e depois de muito rabisco, abre a caixa com os fósforos todos queimados mas bem preservados, e começa a passar cola nos mesmos e a colar um a um no seu lindo desenho.

Ao finalizar, já é cedo e seus pais estão acordando para o café. Estrategicamente posicionado sobre a mesa já  arrumada por seus pais na noite anterior, ele coloca o desenho embaixo da xícara da sua mãe para uma surpresa de Natal.
A mãe levanta, desce para o seu desjejum e ao pegar sua xícara percebe o bilhete e o abre dizendo:

“que linda arvore de Natal voce fez com esses palitos usados meu filho! Que lindo! AMEI!!!” o beijando e agradecendo pelo desenho e pela surpresa, não só da sua mãe, mas de todos os palitos que pensavam que jamais iriam alcançar seus sonhos.
Sonhe, viva. Mesmo após passar para o outro lado, tudo é possível.


Cassiano M. Zanetti