segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cléber! A culpa é do Cléber!

Cléber! A culpa é do Cléber!
Para aqueles que não viram a reportagem do Fantástico no ultimo domingo dia 08 de Janeiro de 2012, a reportagem tratava de um tema polemico e que entra ano e sai ano, sempre volta às manchetes: combustíveis adulterados.

A matéria me fez pensar e refletir sobre varias coisas que acontecem em nosso Território, inclusive na posição do foco principal da reportagem que foi um sujeito chamado Cléber.

Cléber, segundo a reportagem, era o principal envolvido nas adulterações pois oferecia aos seus clientes, donos de postos de gasolina, um equipamento eletrônico que ao apertar um botão, ligava ou desligava o sistema que fraudava a quantidade de combustível vendido. Como em um passe de mágica, a bomba ao invés de servir 20 litros, servia 18, 19 litros. Um ganho absurdo para quem instalava seu sistema eletrônico.

Logicamente que Cléber de bobo não tinha nada. Além de instalar o sistema, ele já prestava manutenção para os mesmos clientes pois tinha certificado do Inmetro para abrir e consertar as bombas sem uma nova inspeção do órgão responsável. Ele também cobrava mensalmente uma taxa de “manutenção” do sistema eletrônico instalado e ainda por cima, prestava uma certa acessoria de risco, caso soubesse do alto escalão se haveria uma fiscalização no posto do seu cliente ou não (palavras do próprio Cléber na reportagem).

Mas tudo isso, todos já sabemos, ou melhor, ficamos sabendo. O que me faz pensar no que houve é como a “casa caiu” para o Cléber e seu sistema e na maneira como o estão “crucificando”. Como uma verdadeira caça às bruxas na época da inquisição, e como se ele fosse o grande e único vilão nessa historia toda que nunca terá fim que é a adulteração de combustíveis.
Cléber deve ter caído no que eu chamo de “o rato que é convidado para a festa do gato e depois de um tempo pensa que é gato”. Ele é a ponta fraca da historia toda. Ele foi manipulado pelo sistema, que ao ver-se dependente do que ele sabia, do que ele fez, precisaram eliminá-lo do próprio sistema.
Manter Cléber operante começou a ficar caro para todos. A dependência não é algo interessante para ninguém, ainda mais para um mercado onde não há espaço para novos jogadores e muito, mas muito dinheiro em jogo.
E qual foi a solução? Entregar Cléber e seu sistema infalível. Isso era fácil. Alguém que não agüenta mais pagar mensalidades para ele e insatisfeito de alguma forma, sem identificar-se, liga para uma emissora de TV e joga toda a historia para o ar. Os repórteres adoram furos desse tipo e preparam a arapuca para pegá-lo. Como um ratinho indefeso mas extremamente ganancioso, e com possibilidades novas de um novo cliente entrando no mercado, Cléber expõe todos os seus serviços para as câmeras ocultas e é deflagrado na operação toda como o maior responsável pela adulteração dos combustíveis em rede Nacional.
Pronto. Cléber está fora do mercado. Novos Clébers entrarão no seu lugar, muito mais baratos, muito mais eficientes, muito mais rápidos e principalmente, muito mais baratos. Ate alguns deles tornarem-se caros e sabendo demais e a próxima matéria será sobre eles.

O verdadeiro culpado, nunca pegaremos. O verdadeiro culpado, nunca ira sujar suas mãos, nunca ira aparecer nas reportagens, jamais será punido.
A verdadeira adulteração dos combustíveis, me parece que não foi nem comentada ou o povo nem percebe, acredita que o maior problema é pagar por um numero x de litros e receber y. Esquece que o teor de álcool é maior do que o normal, esquece que há solventes e muitos outros aditivos que diluem ainda mais o produto que deveria ter uma qualidade e no fundo tem outra, estragando seus veículos com o passar do tempo. Esquece que o governo cobra impostos absurdos por litro de combustível, esquece que paga pedágios altíssimos para ter ao menos estradas decentes que já deveriam ser responsabilidade do governo que arrecada absurdos de receita com os impostos, etc...etc...etc...

E a culpa é de quem no fim das contas? Somente do Cléber? 

Cassiano M. Zanetti